Escrito e ilustrado por Mauricio Negro
> Global Editora, 2006

> Exposição e catálogo 21ª Bienal de Ilustração de Bratislava 2007
> XV Salão Internacional de Desenho para Imprensa
Menção Honrosa Editorial, Porto Alegre, Brasil, 2007
> Seleção FNLIJ 44th Bologna Children's Book Fair 2007

É o primeiro livro feito inteiramente com a técnica da pirogravura, que resolvi explorar assim que retornei da temporada em Paris. É fruto de uma reflexão acerca da própria identidade e da experiência no exterior. Decidi buscar uma via de expressão baseada no uso de materiais alternativos, orgânicos ou reaproveitados. Tenho aprimorado essa abordagem desde então, acrescentando novos recursos e pigmentos, tais como óleo vegetais, açafrão, casca de cebola, café, sumo de frutas, índigo, clorofila e outras tinturas naturais. Usei, por exemplo, urucum para obter tons vermelhos e alaranjados. Essa abordagem é ética e estética, tanto pelos recortes de brasilidade profunda quanto pela própria escolha da técnica e do material mais adequados, recursos pelo quais busco celebrar e recriar, com a devida licença, nossa diversidade. 

De quantas frutas você já ouviu falar? Algumas soam familiares. Outras, foram esquecidas. A maioria não se encontra no comércio, nas feiras livres urbanas, nos supermercados. Mas estão nas nossas florestas, nos cerrados, campos, lavrados, veredas, fazendas, quintais e sertões. Só na Amazônia devem existir mais de duzentas plantas frutíferas. Para os indígenas, que conhecem outras tantas, um fruto saboroso é um presente divino, para ser compartilhado. 

Imaginei um feirante brasileiro iluminado, cheio de graça, ginga e poesia, recitando como ninguém as qualidades de sua banca de frutas, brasileiras ou aclimatadas, seduzindo a freguesia com os quase infinitos predicados, sabores e saberes, do pomar brasileiro. Quem sabe um dia poderemos desfrutar de um encantamento assim, se a gente não se esquecer que os perfumes dos frutos da terra persistem debaixo do nariz. Carece aspirar para despertar.

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